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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Armas contra sonhos

Legião Urbana sabia das coisas.

Eu sei que talvez eu esteja ficando repetitiva, de alguma forma estranha, sobre esse negócio de Legião. Copiando letras na capa dos módulos da escola, em folhas de caderno, nas carteiras, na lousa, no orkut, no last.fm. Mas não é culpa minha se eles simplesmente sabiam das coisas.

Ontem foi o Spirit Day, que eu perdi, mas não é esse o ponto. Sabe, tem uns meninos insuportáveis na minha sala. Estou falando sério. Eles têm todo um nível de insuportabilidade que era totalmente desconhecido pela minha pessoa. E, bem, fazendo uma comparação, são os valentões do time de futebol americano.

E por que é que eles são as pessoas legais?

Daí eu pensei e, cara, por que é que eu estou olhando para o Lado A?

[explicação: eles se autodenominam "Lado A", enquanto os outros são o "Lado B". Enfim]

Eu tava pensando em bullying, sabe, e aí eu lembrei que praticamente todas as meninas (salvo algumas exceções) do Lado B são homofóbicas. "Tem gente que está do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá." No sentido mais literal da coisa.

Só que, bem, foi o meio em que elas foram criadas, eu acho. Elas não demonstram o preconceito, mas são. E um menino que eu adoro discutir (no sentido legal da coisa. Capitalismo x Socialismo. Evangélico x Menina-que-acredita-em-Deus-mas-não-tem-religião. Eu disse que tinha um Muro de Berlim entre nós e ele disse que pularia só para dialogar comigo, haha) disse que não sabia se tinha mais medo de um homossexual ou um serial killer.

Eu cheguei em casa, me tranquei no banheiro e comecei a chorar. De completa e total raiva. E eu vim discutindo com a minha mãe todo o caminho e é impressionante que uma mulher de 50 anos criada numa família super... eh... esqueci a palavra. Rígida? Enfim, criada numa família certamente preconceituosa tem a cabeça mais aberta que mais da metade da população adolescente de uma sala de aula.

E... sei lá, eu ia escrever mais alguma coisa, mas dei uma pausa e esqueci.

A gente teve que fazer uma redação sobre bullying, um dia desses. Eu queria escrever: "Acho que todos merecem perdão, não tem consciência dos seus atos...", sabe, dar uma de Gandhi. Mas sabe o que eu quase escrevi? "MERECIAM SER ESTUPRADOS POR URSOS."

Pois é. Sabe, queridos meninos da alfabetização que me chamavam lindamente de "gorda, baleia, saco de areia"? E que puxavam meus cabelos? E que rasgavam minhas provas só porque eu tirava notas altas? Não ligo que vocês são só menininhos. E agora têm a minha idade. Eu queria perdoar vocês. Mesmo. Mas não consigo.

Não consigo porque, sempre que eu olho no espelho, vejo uma menina horrorosa, mesmo tendo gente que diz que eu sou bonita. Não consigo acreditar em elogios de outras pessoas. Não consigo acreditar em mim.

Eu odeio tanto vocês. Eu queria perdoar vocês. Um dia eu perdoo. Não hoje.

Vou ficar ouvindo Metal Contra as Nuvens até a morte. Aliás, Renato Russo, obrigada por tocar Teatro dos Vampiros para mim. Foi só um sonho, mas... nunca se sabe, né?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

pequenos sonhos de olhos abertos fragmentados

Ele segura os ombros dela, tentando fazê-los parar de tremer. Caliban só olha de longe, tragando nervosamente um cigarro. A dor dela é a dor de ambos. Ariel se abaixa e tenta secar as lágrimas da menina.
- "A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar..." - ele murmura.

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- Eu gosto de você.
- Eu sei.
Ele levanta a manga da blusa dela. "Tudo, tanto, sempre".

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Areia da praia nos pés. Água nos tornozelos. Braços abertos.
Tudo fica bem.

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- Idiota. Realismo é muito melhor que Romantismo.
- Aham, Cláudia.
- Viu? Pessoas românticas tende a seguir modinhas virtuais.
- Vai pra merda. Tu só gosta porque tem o Machado e é muito cult gostar dele.
- ... Ai, droga, queria ter pensado numa resposta.
Risadas.

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- Mesmo que eu estivesse apaixonado por ti, minha opinião seria essa.
- Desistir?
- Aham.
- Não.
- Por quê? É o mais recomendável.
- ... eu vou esperar mais um pouco.

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Os dedos dele se enroscam nos cabelos dela. Ela pensa naquele, ele pensa naquele também, mas tanto faz. Está tudo bem, está tudo bem. Repita quantas vezes forem necessárias para virar verdade.

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Tremendo, tremendo, tremendo.
Lembra do Bandeira.
Trinta e três vezes.

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Agora eu vou dar um beijo nele.
Ahá, não vai nada.
Vou, sim. Só para lembrar.
Mentirosa.
... É.

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Duas ruivas. Tatuadas. Branquelas. Aeroporto.
Argh, que felicidade borbulhante.

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"Oi, então, eu gosto de ler o que tu escreve, haha. Não tenha medo."
"Que nada. Adoro stalkers."
"(L)"

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Machu Picchu. A pedra mais alta. O vento no rosto. Braços abertos.
- "EU SOU O REI DO MUNDO!"

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Johnny morreu por causa de um coração partido.
Porra, Renato.

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Ele encosta o nariz na barriga dela, mas não tem nenhuma segunda intenção por trás.
É o cheiro.
Ele simplesmente gosta.

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- Admita, - Ariel sorri. - você sabe. Um dia alguém vai amá-la.
- Duvido - Caliban arqueia as sobrancelhas. Ariel revira os olhos.
- Sabe que está mentido.
-... É, eu sei.

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- Vou mudar meu sobrenome para Terra Cambará.
- Haha.
- É sério.
- Okay, combina.

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Raio, relâmpago e trovão.

(...)

Que caia o inimigo então.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Postcards from Italy

Oi.

Sabe, você sabe que é para você, não é uma carta dos 30 Dias. É só uma mensagem. E é para você. Eu sinto saudade de você. E vontade de conversar com você. Como a gente fazia quando matava aula e coisa e tal. Eu queria te dizer umas coisas, umas milhares de coisas, mas a minha boca amarga só de pensar. Não é nada ruim de ti. Não é nada ruim de mim, também, só são coisas ruins. Mas meu coração bate tão forte e tão dor que eu não digo. Eu queria te dizer também para querer parar de ver o mundo do meu jeito. Do meu jeito, você iria querer chorar o tempo todo. Quando visse uma família na rua, você iria chorar. Quando visse um viciado em crack roubando a própria mãe, você iria chorar. Quando ouvisse a notícia de que uma criança foi violentada e morta em seguida, você ia chorar tanto, mas tanto que não ia aguentar. Quando ouvisse histórias de amor que não deram certo, você iria querer se matar de tanto medo do mesmo acontecer contigo. Mas o mesmo já estaria acontecendo contigo, e você não iria se matar. Se tu visse o mundo do meu jeito, acharia ridículo olhar-se no espelho, para ver sempre o mesmo rosto feio, o mesmo corpo feio, ouvir a mesma voz irritante.

Eu não quero que você veja o mundo como eu. Com a minha tristeza, com a minha desesperança, com a minha esperança total. Com a minha saudade. Com o meu amor incodicional por tudo e por todos. Com meu ódio por tudo que eu não consigo amar. Com a minha falta de indiferença.


Meu anjinho de cabelos enrolados, eu não julgo o modo como você vê o mundo. Eu não acho que seja melhor ou pior do jeito que eu vejo, mas é diferente. É o seu modo. E sobre o amor... você apenas ainda não entende. Só vê em parte, mas logo verá face a face.

Sobre os SMS dos teus itens enviados, tomara que dê certo. Não só sobre ela ou sobre ele, enfim, tomara que dê tudo certo para ti, de todas as formas possíveis.
Tomara que tudo dê certo. Pronto. E tomara que, um dia, você me abrace e depois procure meu cheiro na sua camisa.
Com amor, sempre,
Harry Porta.





(criei até uma tag nova, haha ♥)