terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Just like Teresa Cristina

A vida é difícil quando a história não tem do que reclamar de você, quando você fez tudo direitinho, quando ninguém na porra do mundo tinha do que reclamar de você. Eu não sou Maria Antonieta, eu não gastei tudo em roupas e festas e mandei meu povo ir comer brioches. Eu não virei uma citação numa música de uma das bandas mais fodas de todos os tempos. Eu também não sou Carlota Joaquina, sem querer o pó do Brasil. Eu amo o Brasil. Eu amo o calor, eu amo os pretos, os mulatos, os índios. Eu não fiz nada de errado. É claro, posso ter sido egoísta, posso ter descontado minha raiva num travesseiro, posso ter dado um tapa no rosto de uma escrava, posso ter feito muitas coisas, mas nenhuma delas me valeu um lugar de destaque.

Não adianta ser gente boa nessa mundo. Não adianta, porque aí chega um 15 de novembro e te expulsam da sua casa e aí você morre. Você não teve a cabeça cortada - nem isso, para te tornar um pouco famosa! -, mas sentiu o coração ser arrancado do peito. O que eu ganhei depois de morta? Uma música? Um filme? Não. Um poema do meu marido. E deveria parecer o suficiente.

Mas não é. Não é e esse mundo é uma puta de uma injustiça com quem tenta ser um pouco legal. Porque, quando você é bom, ninguém lembra de você. Nem os professores de História tiram um momento para dizer "Dona Teresa Cristina". Mas quando você é mau... ah, quando você é mau! Quando você é Elizabeth Bathory. Ou quando você é louco, não é, d. Maria? Ou quando você é homem e é um homem bom, caro Jesus.

Ser mulher e ser boa é um passaporte pro esquecimento.

Na próxima encarnação, quero ser o estopim da terceira guerra.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Porque te ver triste me deixa triste

Ela era uma rainha.

Bem, é claro que era uma rainha. O que ela poderia ser, além de uma rainha? E, apesar de ainda ter a cabeça bem presa ao pescoço, era uma rainha tão ou mais digna que a nobre senhorita Maria Antonieta. Ou qualquer uma das inúmeras rainhas - famosas ou não - que tiveram um fim tão triste na vida, de ter a cabeça separada do resto do corpo.

Ela era uma boa rainha. Tinha o cabelo vermelho, vestidos de bolinhas, seu coração era sua coroa; no seu quarto, uma ampulheta com uma aranha. Ela também tinha um rei, a quem amava muito e que a amava muito. Ela poderia ser uma rainha muito feliz, mas era um pouco mais difícil do que isso.

Ela tinha que acordar todos os dias e ir para um emprego onde atenderia pessoas grosseiras e mal-educadas, que nunca conseguiriam entender que ela era a porra de uma rainha e ninguém trata rainhas assim. A rainha sentia muito amor-raiva. É difícil entender esse conceito, mas caso você já tenha sentido, vai entender o que é. Muito amor-raiva na sua coroa-coração. A rainha não tinha entendido ainda que isso era o universo inteiro querendo que ela se esforçasse mais. Me esforçar mais para que, a rainha perguntaria ao universo se pudesse.

Bem, rainha, ele responderia, calmamente, existem muitas pessoas aqui, vivendo dentro de mim e eu não gosto da maioria delas. Mas eu gosto de você e sei que você é uma parte de mim. E eu quero que você sinta todo esse amor-raiva, porque eu quero que você sinta como eu me sinto. Eu estou todinho dentro de você, cara rainha, e eu quero que você veja que não é fácil ser eu. Então, eu te amo e entendo que você é uma das poucas pessoas que compreenderia a minha raiva e entenderia que, apesar dela, ainda tem muito amor aqui. Tem muito amor em você.

Só que a rainha não pode saber de nada disso, não pode ouvir coisa alguma e continua tendo amor-raiva do universo, que colocou tanto amor-raiva dentro dela. Então a rainha vai acender um cigarro, coisa que ela faz muito de vez em quando, vai ficar encostada em uma parede com fones de ouvido e vai fechar os olhos e várias manchinhas brancas se formarão por trás das pálpebras.

Ela vai respirar fundo, tragar bem mais fundo ainda, vai sentir muito amor-raiva e vai entender que passará grande parte da vida sentindo muito amor-raiva e que está tudo bem, por enquanto. Vai respirar fundo e (sem saber que milhares de súditos desejam a mesma coisa para ela) vai desejar que seja doce.


E será.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A house is not a home

Então, eu estou com abuso daqui.

Eu olho para esse blog e para todas as coisas que eu escrevi e sinto vontade de apagar tudo, tudo, tudo. Abro essa porra para escrever um texto novo, mas só de lembrar onde ele será publicado... argh! Um nojo sobe pelos meus dedos até meu coração.

Eu pensei em mudar o layout, deixar o blog todo branco, mas na hora em que fui fazer isso, fiquei com preguiça e desisti. O que é muito triste, se você pensar bem. Eu gosto tanto daqui. Mas não me sinto mais... aqui.

É uma vontade louca de deletar todas as postagens e começar tudo de novo, mas isso não seria justo comigo, seria? Apagar tudo o que um dia eu já senti, e nem faz tanto tempo assim. Se bem que eu estou mesmo precisando apagar algumas coisas em mim. Mas deixe isso para lá.

Eu tô pensando no que porras eu faço com isso. Enfim. Eu não vou parar de escrever, eu acho, porque se tem uma coisa que eu amo mais do que viajar é escrever. Então, pronto. Vai que é só uma fase. Ou vai que esse blog deixa de existir. Sabe-se lá as reviravoltas que a vida dá.

Blábláblá. Júlia e Cah, eu amo vocês.

(sim, eu passei a noite toda lendo o blog das duas. E você, que tem vida social, como está?)

domingo, 21 de novembro de 2010

Fica aqui, ela pediu, segurando a mão dela com muita força. Ela não queria nem ter segurado, para começo de conversa, mas ele quase a obrigou. Quase, é claro, porque não disse segura aqui a minha mão, sua besta. Ele simplesmente a encarou com aqueles olhos castanhos. Olhos castanhos não deveriam ser tão bonitos, ela pensou, são olhos normais, olhos que você vê em qualquer pessoa. Menos na Europa, né, lá olhos castanhos devem ser coisas diferentes. Ou não. Que seja, ela tinha olhos azuis e nem tinha todo esse poder magnético dos olhos castanhos dele, então não importa a cor dos olhos, importa quem está olhando. O mar estava batendo bem nos pés deles, que bom que ele disse para deixar os sapatos mais longe, lá no começo da praia. Que cena romântica, ele murmurou, com um sorrisinho no canto da boca e ela sentiu o rosto ficar vermelho, tão vermelho quanto o céu, enquanto o sol se punha. Ele estava apenas brincando e ela odiava isso, porque ela não estava. Você está tão séria, está tudo bem, ele perguntou, desviando os olhos do céu e do mar para olhá-la. Ela continuou olhando em frente, balançou a cabeça negativamente. Ela pensou que queria fazer um desejo e que, se tivesse certeza de que ele se realizaria, pediria para que nunca o conhecesse. Sabia que talvez sua vida ficasse cem, duzentas vezes mais sem graça sem ele, mas iria desejar isso mesmo assim. Doía demais conhecê-lo, doía quase tanto quanto os dedos se apertando e os grãos de areia arranhando. Doía como aquela luz que cegava, o sol que se punha. Ela parou, respirou fundo e o olhou, mas agora ele que olhava para frente. Fechou os olhos, pensando na besteira que ia fazer, mas no fundo, não importava. Já estava tudo perdido, de qualquer forma. Eu te amo, ela disse, a voz com um tom sofrido indisfarçável. Ele sorriu e a olhou, eu também. Ela arregalou os olhos por uns instantes e balançou a cabeça. Não, você não tá entendendo, eu realmente... ele balançou a cabeça também. Eu entendo sim, eu entendo sim. Ele tornou a olhar para frente e ela respirou fundo, o coração acelerado. Você entende, isso quer dizer que..., ela parecia quase desesperada. Isso quer dizer que é um anoitecer muito bonito, não só porque você está aqui, ele sorriu. Isso quer dizer que, daqui a alguns anos, eu vou me arrepender de ter entendido. Ele ergueu a mão dela e deu um beijinho, soltando-a depois. Ela passou os dedos nos olhos, pegando as lágrimas. Seu idiota, disse com a voz embargada. Eu sei, ele ainda sorria. Seu idiota, seu idiota, seu idiota... Eu sei, eu sei, eu sei...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Não, gente, ele não é meu namorado. HAHA

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

E hoje em dia, como é que se diz eu te amo? E hoje em dia, como é que se diz eu te amo? E hoje em dia, vamos fazer um filme?



Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo...