quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bolha de sabão

O peito pesado, o estômago embrulhado, eu não tenho nada a ver com essa história, mas parece que é comigo. E parece que é comigo tanta coisa que não é e é tão ruim pegar um pouco da dor de todo mundo - só um pouco, porque a dor que eu sinto nunca vai ser maior do que as das outras pessoas, do que a velha viúva na rua, do que a criança que dorme numa caixa de papelão -, mas pegar um pouco da dor de todo mundo, deus, por que é que o senhor fez isso comigo? daí à noite eu choro e não é nem por mim, porque eu tô feliz, mas é por outras pessoas, que eu nunca vi, que eu não conheço as histórias, com quem eu não falei. E dói do mesmo jeito. Eu só queria poder me dissolver assim, no espaço, como se não fosse nada, como se não desse para sentir dor nenhuma, como se não existisse dor nenhuma fora (e dentro) da porta de casa e do coração de cada um. Ah, se eu pudesse me dissolver apenas por um momento, apenas por um descanso, deixar de existir em um segundo só...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

2010

Peru

Eu quase morri para chegar lá, um dia perdido no aeroporto, lágrimas de frustração, a perna doendo, o corpo cansado, o voo atrasando mais e mais, "mãe, a gente perdeu UM DIA NO PERU!", vai pro hotel, dorme cinco minutos, pega van para voltar pro aeroporto, companhia legal, estão servindo jantar na alta madrugada e é NHOQUE, hmmm, dorme, dorme, dorme, chega lá seis da manhã e o taxista nos rouba. Mas aí, mas aí todos os dias que vêm depois, todas as milhares de comprinhas bestas, todos os brasileiros legais que a gente encontra (menos aquele paulista chato), o australiano, o Piter (é, é assim), Lima, Arequipa, Puno (apesar de eu odiar Puno) e Cusca e, "MÃE, amanhã a gente vai pra MACHU PICCHU!", correr da vaca solta no meio da rua, chorar um pouquinho quando chega numa das parte mais altas, El Condor Pasa tocando na cabeça e pensando putamerdaputamerdaeurealmentetôaqui, e em Lima passar pelo Café Morgana e começar a rir compulsivamente, e em Arequipa andar por aquelas ruas coloniais e ficar hospedada num hotel que antes era um mosteiro e milhares de lhamas e os condores passando sobre nossas cabeças, ver a boca de um vulcão e todas essas coisas que basta eu fechar meus olhos para me lembrar, tudo bem direitinho, todo o sofrimento do primeiro para toda a felicidade dos catorze dias seguintes, menos a comida, era horrível.

Brasília

Não tô vendo avião nenhum, viu, esse povo é tudo louco. Ai, porra, o Aldebaran mora aqui, se bem que as chances de eu me encontrar com ele são baixíssimas, haha, nossa, como meu pai tá vivendo num lugar pequeno, parece só um quarto da nossa casa, que tristeza. Ah, mas aqui é legal, dá para atravessar a rua e o padeiro foi super gente fina comigo, gente, eu vou encontrar a moderadora HG amanhã! E... legal. Gostei, mas que saudade do Peru!

Minas Gerais

PUTA MERDA, QUANTA LADEIRA, MAS EU TÔ NO SÉCULO DEZENOVE UHUUUUUUUUUUL!!! O TÚMULO DE BERNARDO GUIMARÃES, GENTE, ELE ERA MEU AMIGUINHO!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A beleza do que faz mal (ou: explicando o amor em imagens do we heart it)






















Doce beleza da decadência.
... mentira. Decadente sou eu, que nunca botei um na boca, não tenho essa elegância, não tenho problema de pulmão, não tenho essa sensualidade. Ah, o bom versus o ruim. O pior é que eu sei que eu nunca vou tomar coragem, mesmo algum poeta aí dizendo para a gente suspeitar da galera que não fuma.
Por que eu não nasci homem no século XX para baixo, em que era a coisa mais sensual do mundo?

Just like Teresa Cristina

A vida é difícil quando a história não tem do que reclamar de você, quando você fez tudo direitinho, quando ninguém na porra do mundo tinha do que reclamar de você. Eu não sou Maria Antonieta, eu não gastei tudo em roupas e festas e mandei meu povo ir comer brioches. Eu não virei uma citação numa música de uma das bandas mais fodas de todos os tempos. Eu também não sou Carlota Joaquina, sem querer o pó do Brasil. Eu amo o Brasil. Eu amo o calor, eu amo os pretos, os mulatos, os índios. Eu não fiz nada de errado. É claro, posso ter sido egoísta, posso ter descontado minha raiva num travesseiro, posso ter dado um tapa no rosto de uma escrava, posso ter feito muitas coisas, mas nenhuma delas me valeu um lugar de destaque.

Não adianta ser gente boa nessa mundo. Não adianta, porque aí chega um 15 de novembro e te expulsam da sua casa e aí você morre. Você não teve a cabeça cortada - nem isso, para te tornar um pouco famosa! -, mas sentiu o coração ser arrancado do peito. O que eu ganhei depois de morta? Uma música? Um filme? Não. Um poema do meu marido. E deveria parecer o suficiente.

Mas não é. Não é e esse mundo é uma puta de uma injustiça com quem tenta ser um pouco legal. Porque, quando você é bom, ninguém lembra de você. Nem os professores de História tiram um momento para dizer "Dona Teresa Cristina". Mas quando você é mau... ah, quando você é mau! Quando você é Elizabeth Bathory. Ou quando você é louco, não é, d. Maria? Ou quando você é homem e é um homem bom, caro Jesus.

Ser mulher e ser boa é um passaporte pro esquecimento.

Na próxima encarnação, quero ser o estopim da terceira guerra.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Porque te ver triste me deixa triste

Ela era uma rainha.

Bem, é claro que era uma rainha. O que ela poderia ser, além de uma rainha? E, apesar de ainda ter a cabeça bem presa ao pescoço, era uma rainha tão ou mais digna que a nobre senhorita Maria Antonieta. Ou qualquer uma das inúmeras rainhas - famosas ou não - que tiveram um fim tão triste na vida, de ter a cabeça separada do resto do corpo.

Ela era uma boa rainha. Tinha o cabelo vermelho, vestidos de bolinhas, seu coração era sua coroa; no seu quarto, uma ampulheta com uma aranha. Ela também tinha um rei, a quem amava muito e que a amava muito. Ela poderia ser uma rainha muito feliz, mas era um pouco mais difícil do que isso.

Ela tinha que acordar todos os dias e ir para um emprego onde atenderia pessoas grosseiras e mal-educadas, que nunca conseguiriam entender que ela era a porra de uma rainha e ninguém trata rainhas assim. A rainha sentia muito amor-raiva. É difícil entender esse conceito, mas caso você já tenha sentido, vai entender o que é. Muito amor-raiva na sua coroa-coração. A rainha não tinha entendido ainda que isso era o universo inteiro querendo que ela se esforçasse mais. Me esforçar mais para que, a rainha perguntaria ao universo se pudesse.

Bem, rainha, ele responderia, calmamente, existem muitas pessoas aqui, vivendo dentro de mim e eu não gosto da maioria delas. Mas eu gosto de você e sei que você é uma parte de mim. E eu quero que você sinta todo esse amor-raiva, porque eu quero que você sinta como eu me sinto. Eu estou todinho dentro de você, cara rainha, e eu quero que você veja que não é fácil ser eu. Então, eu te amo e entendo que você é uma das poucas pessoas que compreenderia a minha raiva e entenderia que, apesar dela, ainda tem muito amor aqui. Tem muito amor em você.

Só que a rainha não pode saber de nada disso, não pode ouvir coisa alguma e continua tendo amor-raiva do universo, que colocou tanto amor-raiva dentro dela. Então a rainha vai acender um cigarro, coisa que ela faz muito de vez em quando, vai ficar encostada em uma parede com fones de ouvido e vai fechar os olhos e várias manchinhas brancas se formarão por trás das pálpebras.

Ela vai respirar fundo, tragar bem mais fundo ainda, vai sentir muito amor-raiva e vai entender que passará grande parte da vida sentindo muito amor-raiva e que está tudo bem, por enquanto. Vai respirar fundo e (sem saber que milhares de súditos desejam a mesma coisa para ela) vai desejar que seja doce.


E será.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A house is not a home

Então, eu estou com abuso daqui.

Eu olho para esse blog e para todas as coisas que eu escrevi e sinto vontade de apagar tudo, tudo, tudo. Abro essa porra para escrever um texto novo, mas só de lembrar onde ele será publicado... argh! Um nojo sobe pelos meus dedos até meu coração.

Eu pensei em mudar o layout, deixar o blog todo branco, mas na hora em que fui fazer isso, fiquei com preguiça e desisti. O que é muito triste, se você pensar bem. Eu gosto tanto daqui. Mas não me sinto mais... aqui.

É uma vontade louca de deletar todas as postagens e começar tudo de novo, mas isso não seria justo comigo, seria? Apagar tudo o que um dia eu já senti, e nem faz tanto tempo assim. Se bem que eu estou mesmo precisando apagar algumas coisas em mim. Mas deixe isso para lá.

Eu tô pensando no que porras eu faço com isso. Enfim. Eu não vou parar de escrever, eu acho, porque se tem uma coisa que eu amo mais do que viajar é escrever. Então, pronto. Vai que é só uma fase. Ou vai que esse blog deixa de existir. Sabe-se lá as reviravoltas que a vida dá.

Blábláblá. Júlia e Cah, eu amo vocês.

(sim, eu passei a noite toda lendo o blog das duas. E você, que tem vida social, como está?)