sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cem anos de solidão é solidão pra caramba

Queria estar escrevendo. Queria estar com paciência para ouvir música, queria que algumas músicas não doessem tanto, queria ir até o Farias Brito, queria que alguém me abraçasse, queria estar perto de alguém que se importasse, queria conhecer a Turquia, queria saber se Troia realmente existiu, queria entender porque O Grande Gatsby foi um livro importante, queria que alguém da minha sala gostasse de conversar comigo, queria alguém que me fizesse um elogio aleatório, queria ler alguma coisa que me deixasse realmente feliz (parece que isso, eu fiz), queria que a felicidade durasse mais de meio segundo, queria receber uma mensagem no celular, queria parar de soar tão deprimida e tão chata, queria não estar tão deprimida e tão chata, queria não ser tão deprimida e tão chata, queria que meus amigos não ficassem de saco cheio de mim, queria que meus amigos estivessem perto de mim, queria viajar para Porto Alegre, queria que aqui não fosse tão seco, queria conhecer outros universos, queria conhecer outras galáxias, queria morar em outro planeta, queria compreender um monte de coisas, queria desvendar vários mistérios, queria que a vida não fosse tão curta para todas as coisas que eu queria fazer, queria--

What have we found? The same old fears.

terça-feira, 29 de maio de 2012

today is gonna be the day

Hoje eu acordei com Wonderwall na cabeça. Bem, eu sabia que meu dia ia ser difícil, e a primeira frase da música ecoava na minha cabeça não de um jeito legal, mas como se exclamasse, extremamente sem saco, "hoje vai ser o dia!", um dia terrível, um dia chato. Eu mal cheguei, já tive que aturar gritaria, menina jogando o trabalho no chão, mandando todo mundo pra puta que pariu. Dizendo que tava tudo horrível, gritando comigo... enfim. Foi um dia de cão. Não vou me estender nisso porque é uma longa história, mas resumidamente, me deu uma puta dor nas costas e uma puta dor de cabeça. E Wonderwall tocando na minha cabeça, enquanto eu voltava pra casa, morrendo de fome porque não deu tempo nem de comer alguma porcaria lá pela faculdade. Então, eu chego em casa, ainda tem coisa pra fazer, etc. A Lola me arranha com seus dentes - é, arranha, porque ela não mordeu, só passou os dentes pelas costas da minha mão, que estão vermelhas e ardendo até agora. Eu e a Fatinha resolvemos dar uma andada. Eu volto pra casa. No meu quarto, tem um espelho de corpo inteiro. Aí eu me olhei nesse espelho. Eu poderia falar um monte de coisa, mas basicamente, wonderwall começou a tocar de novo, e eu olhei pro lado e vi o Ed - tá certo, "eu sou o mensageiro" - e pensei, "porra. Como eu sou bonita."

E é isso aí. Esse post inteiro só pra eu ter a liberdade de expressar que hoje, apesar de toda a merda que foi o dia, eu estou incrivelmente bonita. Surpreendentemente.

(daí eu comecei a rir, pensando nos meus amigos e nas pessoas que eu amo e - eu não sou o mensageiro.)

domingo, 20 de maio de 2012

e aí, Ed, o que você fez de útil nesses 19 anos de vida?

Eu tenho uma tendência muito grande a reler - reler livros, posts, respostas. Rever acontecimentos, passar um filme na minha cabeça, tentando entender, tentando encontrar alguma coisa que explique o que eu sinto, ou a razão de eu me sentir como eu sinto, ou sei lá o que. Eu fico buscando dentro de mim algum sentido para milhares de coisas, mas fico tão concentrada em buscar o passo-a-passo do agora que quase não me resta tempo para pensar apenas no agora. Qual o momento em que tudo muda? As coisas simplesmente não acontecem do nada. Deve ter um motivo para eu me sentir assim. Eu não queria ser uma pessoa presa, entendem? Eu queria poder morar em qualquer lugar, um dia me dar uma doida e eu me mudar, sei lá, para o Rio de Janeiro. Quem sabe para Campo Grande? Ou talvez, Manaus, Aracaju, Belo Horizonte. Eu ficava criando destinos na minha cabeça, e imaginando as viagens que eu faria - e isso é algo que me deprime, porque com certeza eu não conhecerei nem um terço dos lugares que eu quero conhecer. Mas então, as pessoas. Eu penso que gostaria de ser um Ed para alguém, só por um segundo, só para sentir que fiz algo de útil na minha vida. Isso é um sonho muito alto, não é? Uma vibe meio Jesus Cristo, vamos ajudar os outros, trálálá. Como é que a gente ajuda os outros sem se ajudar? O Ed foi totalmente altruísta, eu estou sendo meio egoísta. Eu quero mudar - mudar por dentro, ou mudar alguém, ou mudar qualquer coisa -, mas porque eu preciso fazer algo por mim. Para mim. No começo, ele nem sabia o que estava fazendo, mas aí ele foi mudando todas aquelas pessoas, em tantos níveis diferentes... e isso acabou mudando ele. Sem querer. Algumas pessoas dizem que, quando você quer alguma coisa, fica mais difícil você conseguir. Tipo, sei lá, paixão correspondida. Dizem que, quanto mais você pensa nisso, mais longe isso fica de você. Eu já escutei muito isso. Eu nem me importo mais, de certa forma. Às vezes, eu tenho crises de preciso disso, mas depois eu penso que tenho que me amar primeiro. E isso é difícil. Entrar dentro da própria cabeça e encarar a si mesmo como um desconhecido, e pensar que você teria apreço por esse desconhecido - só não tem porque, bem, é você. Daí eu penso nessa coisa, de mudar vidas, mas daí? Talvez seja algo que você goste e guarde com carinho, e recorra a essa lembrança desesperadamente: eu não estou sendo útil agora, mas em algum momento, eu mudei tal pessoa. Deixei uma alteração no mundo. E eu imagino que alguém se ria disso, e diga que mudar uma pessoa não é grande coisa, porque existem milhões de pessoas no mundo, e você não pode salvar todas elas. Mas olha só. Tava vendo um documentário ontem sobre buracos negros, e um cara disse que eles são coisas muito pequenas. Muito pequenas. E olha só o que eles conseguem fazer, né?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Your ex-lover is dead

Coloquei o gravador na mesa entre nós dois, pedindo para ela começar a contar a história. Ela achou esquisito, ela franziu o cenho pra mim, no começo. Mas ela topou, no final das contas. Tava vestida de preto, o cabelo castanho solto e rebelde, de óculos escuros. Ela não gostava que olhassem seus olhos. Ela pediu um chocolate quente, eu pedi um café, liguei o gravador. Ela olhou para ele, pensando em como começar, respirou fundo. E começou a falar.

Eu o conheci há muito tempo, muito, muito tempo, desde antes de a gente se conhecer de verdade. Mas nessa vida, eu o conheci ainda criança, no funeral do irmãozinho deles. Nossos pais eram amigos. Eu fiquei meio entediada lá, aquele lugar, todo mundo chorando. Eu tinha quatro anos, sabe, nem lembro de verdade, mas imagino que eu tenha ficado assim, mesmo. Então, a gente meio que ficou amiguinhos, uma coisa bem irrelevante. Aí a família dele se mudou, aí eu fiquei por aqui mesmo... Bem, só sei que, quando a gente tinha quinze anos, se reencontrou. Que romântico, tu deve pensar. Bem, foi engraçado, sabe. Ele era um adolescente daqueles trevorosinhos. Muita música gótica, sabe? Ele fumava muito, bebia muito. Ele gostava de escrever, acho que foi isso que mudou tudo. Quer dizer. O que ele escrevia era engraçado. Sabe aquele povo que tem síndrome de que nasceu no século errado? Então, é bem isso. Ele só pensava no século XIX, uma coisa meio surreal. Mas sim, os poemas. Tinham alguns bem legais, de verdade, mas outros... ah, se eu fosse uma moça do século XIX eu gostaria, né? Tinha um amigo dele, também, ele era muito engraçado. Um desses tipinhos pervertidos. Enfim, aí eu me apaixonei por ele. Ele era um cara meio complicado. Ele tinha uns acessos de tristeza... uma coisa que nós temos, normalmente, né? Acho que todo mundo tem uns acessos de tristeza. Mas ele preferia viver preso a essa melancolia. Eu era meio boba, acho, achava isso... romântico? É, sei lá. Ah, eu tinha quinze anos! Não que isso seja desculpa. Pessoas de quinze anos não são bobas, quer dizer, eu era. De qualquer forma... quando eu tinha dezesseis anos, a gente começou a se pegar, né? Hahaha. Isso durou muito... foi bem legal. Ele tinha um pressentimento de que ia morrer cedo. A gente conversava muito... É. Aí um dia, ele saiu. Normal. De carro. Ele tinha 20 anos. Ele tava meio bêbado, bateu. Ficou um tempão no hospital... acabou morrendo. Nossa, eu me senti dilacerada. Ainda sinto. É... ele morreu, o pai dele tava no quarto e um irmão. Aí... aí ele disse que aquilo era uma fatalidade. E morreu. É.

Desligo o gravador, agradeço. Ela toma o chocolate quente, os olhos avermelhados. Termina, dá de ombros e vai embora.

sábado, 31 de março de 2012

they would make your name sing

Você cria histórias inteiras, diálogos e sentimentos, e coloca a mão sobre o queixo, cruza as pernas na altura dos tornozelos e começa a declamar baixinho, como se fossem pequenas poesias que você decorou, do livro de Literatura. Mas todas as histórias vêm de dentro de você, de você para o resto do mundo - mas o mundo não escuta nada, vai da sua boca para seus ouvidos, sai do seu cérebro e volta para seu cérebro, e às vezes você chora e pensa que está sendo ridícula, chorando por algo que você criou, por um sentimento que você mesma inventou. Mas é de verdade. Você é de verdade, então suas histórias são reais. Imagina só, tudo o que tu inventa cria um universo paralelo em que essas coisas acontecem. Você sussurra histórias para as suas mãos, e imagina que não é nada demais, mas alguma coisa grande está acontecendo. E você nem sabe e nem tem como saber, e você é ao mesmo tempo a borboleta e o furacão.

quinta-feira, 22 de março de 2012

A segunda playlist que tá tocando infinitamente na minha cabeça

And I'm the only one and I walk alone and when I see you, I really see you upside down love is not a victory march, it's a cold and it's a broken and you'll never fall in love if you don't fall at all you gave it all, but I want more fuck you fuck you fuck you and all we've been through and I cant't understand why my heart is so broken rejecting yours, so while I'm turning in my sheets and once again, cannot sleep now they're going to bed and my stomach is sick; oh darling, understand: that everything, everything ends.

sábado, 17 de março de 2012

trilha

de dentro para fora.

dá vontade de andar até você e abraçar você e falar que eu amo você, repetidamente, até você entender. eu amo você. isso parece algo tão fraco para se dizer, é a coisa mais forte que existe, mas às vezes as pessoas não conseguem compreender a força disso. meu amor por você tá espalhado pelo meu corpo, pelos meus órgãos, não só pelo meu coração. meus pulmões, meu fígado, meus rins, meus ossos, tudo aqui dentro ama você, mas parece que não dá para entender. você não entende. a profundidade do meu amor por ti. tu acha que é só brincadeira, tu acha que um dia vai passar, mas não vai, não vai. eu vou te amar para sempre, e vou te carregar para sempre dentro de mim, e um dia você será uma linda memória, que vai ser triste porque vai ser uma memória, mas nem por isso menos linda. eu te amo. por favor, aceita isso. aceita, que é a única coisa que eu posso te oferecer.

de mim para você.