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sábado, 27 de outubro de 2012

Day 2 — Your Crush

Carol,

Bem. Digamos que você é atualmente, o que eu tenho mais parecido com o que eu imagino que seja uma crush - ou seja, pensamentos bobinhos, ficar feliz por ver mensagem sua, você curtindo algo que eu publiquei, sabendo que você falou de mim, enfim. Apesar da vida. E da Ingrid, né. Olha, não tô querendo afrontar sua namorada nem nada, até porque você nem lê meu blog, muito menos ela. Então. Parando de enrolar e falando as coisas que eu gostaria de dizer.

O pessoal pensou que minha crush por você só ficou real quando eu fiquei sabendo do teu namoro. Bem, pena que eles não tem acesso ao meu diário e ao texto que eu escrevi sobre duas garotas no primeiro semestre do ano passado, bem antes de Ingrid ser o nome da sua namorada e não da ex-namorada do Henry, de a mulher do viajante do tempo, ou do Dexter, de um dia. Não que eu esteja dizendo que por causa de algum tipo de maldição literária ela vá ser sua ex-namorada. Nem tô torcendo por isso, porque afinal, eu não sou uma personagem antagonista de novela.

Eu só. Bah. Eu lembro quando eu tive que dizer que tinha um sentimentozinho por ti, porque eu estava irritada com toda a história da Ingrid - claro que eu fiquei irritada, porque motivos - e você disse que se eu tivesse falado antes, poderia ser diferente. E eu inventando que queria fazer uma pesquisa de opinião entre os meus amigos para saber qual deles me pegaria, mas era só uma desculpa, porque eu queria saber a sua resposta, especificamente. E você disse que sim, e ainda completou que me achava legal e bonita, que era algo que eu não esperava e me fez agitar as mãos na frente do computador.

O que eu gosto de lembrar é de quando eu ia matar minha aula na sua sala (e de 90% dos meus amigos do Farias Brito, né) e a gente sempre sentava perto e você ficava rindo e surtando comigo. E você robou a lista que eu fiz com o nome dos meus futuros 70 gatos, mas você não vai ser uma velha dos gatos, Carol.

Eu lembro também de você perseguindo as garotas lésbicas/bissexuais do Farias Brito e do ciúme que me dava de ver você indo atrás delas, e eu brincava perguntando se eu já não era suficiente. Bem, bem, não sei se você tomou tudo na brincadeira ou não, mas acho que sim. Acho que sim.

O fato é que tu e a Naile (oi, Naile, espero que você não esteja lendo isso) foram as duas garotas por quem eu mais me senti atraída na vida e principalmente tu, porque... bah. Porque tu é minha crush, né. Eu ficava te mandando mensagens malucas no meio da aula, tu apenas a algumas salas de distância e tu respondia mais malucamente ainda.

Claro que eu tô idealizando tudo - eu nunca estive no teu "círculo principal" de amigos e nem tu nos meus, e a gente nunca chegou a ser confidentes nem nada, mas aqui eu tô falando de um certo tipo de paixão platônica, mas não tão distante. Quero dizer, eu fiquei feliz em sentir o que eu senti por você e até agora, só tive poucos momentos de tristeza em relação a isso. Nem sei mais o que eu tô falando, sabia? Um monte de coisas que tu nunca vai saber, parece.

Agora eu lembro daquela festa com a galera de Harry Potter, na hora em que a gente estava naquela sala de dança e o Ygor entrou, e eu disse para ti "se ele tentar qualquer coisa comigo, eu vou te agarrar! Tu vai ser minha namorada hoje" e tu topou, e aí... aí ele me puxou para ficar perto dele e eu me livrei dele e nem te beijei. Mas eu deveria ter de beijado. Eu deveria ter te beijado.

De qualquer forma. Desejo muita coisa boa pra você, até porque meus sentimentos geram uma dor positiva, e não uma dor negativa meu deus quero morrer alguém me mata como outros já geraram.

Amor,

Morgana.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Day 13 — Someone you wish could forgive you

Pai,

Essa carta vai vir sem música, sem imagem, sem nada. Apenas a verdade dos meus pensamentos, que o senhor nunca vai ouvir. Essas palavras nunca vão te alcançar e se um dia elas chegarem até você, provavelmente será de um jeito amargo e ruim e eu não quero piorar as coisas. Ontem, no carro, o senhor disse que dedicou a vida inteira a mim, e que era frustrante que a gente não conseguisse manter um diálogo. Dedicou a vida inteira a mim. Você acha que isso é algo bom para se dizer a alguém? Eu duvido muito, eu não queria pensar assim, mas o senhor sabe que isso é algo horrível. Isso só deixa tudo pior. Como se você estivesse jogando da minha cara que eu é que estou errada, porque você fez tudo certo. Você abdicou de tudo por mim. Eu me sinto ingrata, eu me sinto mal e infeliz. Eu acho que nasci com o botão "decepcionar seu pai" permanentemente no modo ligado. Eu sei que eu faço tudo errado. Eu sei. Mas por mais que eu tente consertar... Você sabe que eu já sei sua expressão de chateação de cor? Eu sei. Os lábios franzidos, o olhar perdido, tu fica murmurando coisas para si mesmo. Eu fico tensa, e eu prefiro quando você briga. Porque, quando você só fica calado, eu penso: fala, fala, fala, fala. Eu começo a implorar para que o senhor grite comigo, brigue comigo. Eu já estou acostumada. Eu te amo tanto, pai, tanto, tanto, o senhor nem sabe. O senhor adora dizer que me ama demais e que eu nunca vou entender. O senhor adora dizer que eu falo pra todo mundo que você é chato. O senhor adora dizer que eu não posso compreender você. Às vezes, eu quero falar. As palavras chegam até meus lábios, mas eles permanecem fechados, porque eu não quero falar. Não quero estragar tudo. De novo e de novo. Um dia, quem sabe. Por enquanto, eu só queria que você me perdoasse por ter saído tão errada, tão fora dos seus planos e expectativas. Eu odeio expectativas.

Eu te amo. Muito.

Morgana.

domingo, 10 de abril de 2011

Day 10 — Someone you don’t talk to as much as you’d like to

Querida Júlia,

Vou logo dizendo que essa será a carta mais ridícula que você receberá em toda a sua vida. Aliás, essa também é a carta mais ridícula que você lerá. Eu estava esperando começar com algo delicado e poético e bonitinho, que te fizesse para e refletir sobre a vida enquanto se deliciava com aquele seu famoso bolo de algum sabor que eu não lembro vegan. Meu objetivo já foi minado nesse parágrafo, infelizmente.


Eu acho que você escreveu essa carta para a sua mãe. Não lembro e estou com preguiça de procurar. Eu estou lembrando disso porque eu sempre lembro de como você escreve coisas bonitas, de como eu já te amava antes mesmo de conversar contigo, só pelo que tu escrevia. Sempre parece estranho e até mesmo falso, dizer que amava uma pessoa antes de falar com ela, só pelo que ela te transmitia, mas bem, é a verdade. Você pode até perguntar para os meus amigos: "Qual o nome que mais sai da boca da Morgana num período de um dia?", e a resposta vai ser sempre "Júlia." E, claro, o Cord iria zoar de mim e me imitar dizendo "Eu amo a Júlia!" e agitando os bracinhos. Mas enfim.


A tua janela está sempre aberta no meu msn e por vezes eu digito coisas, mas sempre penso que serão coisas estúpidas demais e não mando. O ruim de ter te amado pelos textos antes de te amar pelas conversas (?) é que eu não consigo falar contigo como quando eu falo com outras pessoas. E é simplesmente horrível, porque eu só consigo falar contigo quando é algum assunto "sério", mesmo que a gente fique rindo e fazendo piada depois. Eu queria conseguir falar besteiras contigo e fazer brincadeiras, mas eu não consigo. I'm a creep, I'm a weirdo, blábláblá.


BEM, agora você já sabe que eu estou escrevendo a carta mais stalker do mundo para ti e coisa e tal, então eu estou com muita vergonha de terminar. Mas vamos lá. Respiração profunda e seguir em frente e coisa e tal. Eu nem lembro mais o que eu queria falar aqui, sua chata. Não, espera aí, ignora esse parágrafo. Vamos fingir que ele nunca aconteceu.


Eu lembro que, quando eu fui pra Porto Alegre, eu já te tinha no msn, mas não falava contigo. E eu estava doida para dizer "Ei, você nem sabe o meu nome, mas eu estou indo para Porto Alegre e amaria te conhecer!", mas é claro que não disse. E, absolutamente todas as vezes que nós saímos para passear, eu ficava olhando ao redor procurando qualquer menção de Júlia e Thiago possíveis. Pena que nós só almoçamos em churrascarias, os últimos lugares onde eu poderia te encontrar.


(parênteses para dizer que eu só comi carne ruim aí, que as do Ceará são mais gostosas e acho que teria feito melhores refeições veganas na sua companhia, etc.)


O que eu queria dizer mesmo? Ah, sim. A sua janela do msn está sempre aberta porque eu me sinto bem sabendo que tu tá ali e que eu posso falar contigo a qualquer momento, mesmo não o fazendo. Aí, quando tu sai, normalmente bate uma tristeza e eu penso que deveria ter falado contigo. É claro que tu pode ter só ficado off-line e coisa e tal, como eu quase sempre fico, mas enfim. Você entendeu o espírito da coisa - as conversas que eu tenho contigo me fazem bem, por menores e mais raras que elas sejam. É isso.


E eu poderia me estender aqui por mais e mais parágrafos, mas já estou achando que estou enchendo o saco e morrendo de vergonha e tudo o mais. E sobre a foto: foi a primeira foto que eu tirei, do céu de Porto Alegre, quando estava voltando para casa. Viu? Teve alguma coisa razoavelmente poética nessa carta. Ahá!

Com muito amor (caso você não tenha percebido),

Morgana.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Day 28 — Someone that changed your life

Tudo estava bem

Querido Padrinho,

É estranho porque o senhor nunca vai ler essa carta, mas ela é para você. Você mudou minha vida, Padrinho - okay, talvez não você propriamente, mas aquele presente que o senhor me deu quando eu tinha cinco anos, de Natal. Lembra? Com o embrulho vermelho? Aquele livro legal?

Padrinho, nunca te agradeci direito por isso, mas muito, muito, muito obrigada por me dar Harry Potter. Mesmo. E também pela Câmara Secreta (que minha irmã fez o favor de perder), pelo Prisioneiro de Azkaban e pelo Cálice de Fogo. Os outros três minha mãe fez o favor. Mas o chute inicial foi seu.

Pensando assim: eu só tenho amigos por causa de Harry Potter. Aí você vira e diz: "mas e seus amigos que não gostam de Harry Potter?", bem, eu só os consegui depois dos amigos que gostam. Fim de papo. Então, Padrinho, obrigada por todos os meus amigos. Obrigada por me fazer gostar de ler. Obrigada pelo Harry, pelo Ron e pela Hermione. Mesmo.

Assim, eu nem sei mais o que escrever aqui. O senhor não irá ler e talvez nem entenda direito porque eu te agradeço tanto por ter me dado Harry Potter, mas minha vida poderia ser bem diferente. E antes que venha um boboca dizendo que poderia ser melhor, foda-se. Está boa o suficiente para mim, por ora.

Além do mais, obrigada por ser minha... família, agora que eu sou uma menor abandonada pelos pais, haha. Mesmo que você sempre se atrase na hora de me buscar e me deixar. Vale a pena pelas nossas discussões políticas.

... É. O principal ainda é Harry Potter. Desculpe por isso, Padrinho. Mas saiba que esse simples ato de comprar um livro de 200 e poucas páginas para a sua afilhada que tinha acabado de sair da alfabetização mudou minha vida. Obrigada por confiar em mim, já que não é todo adulto que confia que uma criança lerá um livro daqueles.

Muito obrigada.

Mesmo.

Da sua afilhada preferida.
E não é porque eu sou a única.

domingo, 8 de agosto de 2010

Day 24 — The person that gave you your favorite memory

Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia?

Vamp's,

A maior parte dessa carta á unicamente para você, mas devemos dar uma menção honrosa para o Cord. Afinal, minhas memórias preferidas todas tiverem você, mas aquela é especial. E eu não ligo de estar imitando o Cord nisso, porque a importância foi a mesma, para os três. Ron, Harry e Hermione aprenderam isso lutando contra um trasgo montanhês, a gente aprendeu brincando nas estufas.

Quando eu lembro daquela viagem - dela como um todo, incluindo os momentos anteriores, nós três sentados numa mesa do FB2 trocando livros - me dá uma saudade tão grande... Mas é ma saudade gostosa, um calor no peito. Porque fomos nós três lá, nós três brincando de pegar gravetos no chão e jogar feitiços, nós três duelando, eu e o Cord falando que quando você lesse o quinto livro iria entender o ódio pela Dolores.

Essa memória merece um destaque especial e eu comecei por ela. Mas você não me deu só uma memória favorita, Vamp's, você me deu várias. Que são especiais para mim, porque você estava lá. Uma das coisas que eu mais lembro é quando eu não consegui te beijar. Você lembra de Rudy e da Liesel? Ah, mas não terminou de ler A Menina... Posso apenas dizer que eu era o Rudy, implorando seus beijos você era a Liesel. E quando você aceitou, eu tive medo e deixei para lá. E olhando de dentro isso me deixa tão feliz, porque prova que eu tenho alguma coisa... diferente do que eu acho que sou.

Você faz com que eu acredite em mim, Vamp's, e não existem palavras no mundo para agradecer isso.

Eu gosto de lembrar quando você veio dormir aqui em casa e ficamos tirando fotos. Eu gosto de lembrar de quando íamos nas locadoras e passávamos horas para escolher um simples filme. Eu gosto de lembrar que você foi a primeira pessoa a ver meu cabelo roxo. De você e eu assistindo D.Gray-man. De você vindo para mim com as cifras de Regret. De você tocando teclado.

Você é toda uma memória muito linda, Vamp's. Até mesmo quando discutimos por causa do Pybore, haha. Você é uma pessoa tão diferente de mim. Você é tão bonita, por dentro e por fora. E eu fico feliz sempre que lembro que eu te conheci quando você ainda parecia com a Pansy (ou: carinha de bulldog, hahaahah) e agora você é tão linda. Eu lembro que você nunca falava ao telefone, mas eu te ligava tanto que você aprendeu a conversar.

Tudo que eu lembro com você ganha mais amor, Vamp's. Você não me deu a minha memória favorita, você é.



E, no futuro, quando eu tiver um vira-tempo, vou voltar. Só para nos ver abraçadas no dia do meu aniversário-sarau.

Com todo o amor que houver nessa vida,

Morg.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Day 25 — The person you know that is going through the worst of times

- É simples. - Abracadabra também se virou para Anne

- Feche seus olhos e simplesmente acredite em... magia. Abracadabra.

- e beijou Anne.


Tinha gosto de amor


Anne,




Eu não sei porque você esá mal, mas eu até imagino que seja a saudades de casa. Mas deve ter algo mais. Eu não me importo em não saber a razão (tudo bem, eu me importo e gostaria de saber), mas eu quero saber se você está bem. Eu preciso que você me diga que está bem, Anne. Porque quando eu vejo as suas mensagens de tristeza, eu fico triste. É sério.




Eu quero também que você saiba que pode falar comigo sempre, sempre, sempre. Nunca vai estar atrapalhando nada. Pode desabafar comigo o quanto quiser, mesmo que eu saiba que você normalmente não faz esse tipo de coisa.




Fiquei bem, Anne. Eu não consigo estender essa carta porque eu não sei pelo que você está passando, mas independente do que seja, conte comigo. E fique bem, fique bem, fique bem. Quando estiver triste, lembre-se do Lucian. Ele que segurava a sua mão quando você passava por aquele beco escuro, não é? Lembre-se da Charlotte também, porque ela adoraria você e seria muito cuidadosa na hora da sua... morte, haha. Lembre-se de toda a família Addams.

Lembre-se de todos os carinhos trocados por msn.




Você vai se lembrar, sim, porque eu nunca vou te deixar esquecer.


(muito mais que) doze beijos,




Morg.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Day 11 — A Deceased person you wish you could talk to

Assim como o poeta
Só é grande se sofrer

Oi, Álvares.

As pessoas certamente já estão sem paciência das minhas cartas para você - e isso porque elas nem viram as escritas à mão. Mas essa carta tinha que ser para você, pura e simplesmente. Eu nem irei me estender muito nela ou algo assim - já falei tanto em outras cartas, outras épocas - só direi que eu realmente desejei escrever para outra pessoa. Para o Erico Verissimo. Machado de Assis. Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade. Porque, bem, esses são normalmente os mortos com quem eu gostaria de poder falar. Mas não seria tão certo quanto escrever para você.

Mas eu vou abandonar o normal teor ultrarromântico e desejoso das minhas cartas. Eu vou falar contigo sobre porque eu te admiro. Porque você, dentre todos os mortos, é o que eu gostaria de conversar com. Você não é melhor do que nenhum daqueles lá de cima - isso não quer dizer que seja pior, é claro. Eu queria falar com você porque eles amadureceram e você não. Eles viveram tempo o suficiente para aprimorar a escrita, para ver coisas da vida e passarem para o papel. Você, não. Você teve 20 anos, nada mais que isso.

E nesses 20 anos, conseguiu fazer poesia, crônicas e uma peça. Além dos ensaios e discursos. E eles não são a obra-prima brasileira, mal estão preocupadas com o país e Solfieri não é nem um nome brasileiro. Você vivia com a cabeça na Europa. A sua poesia era... importada. Calma, sem ofensas! Até porque, como eu te ofenderia?

É só para dizer que eu te admiro. Você não teve nenhum feito heroico ou nenhuma poesia que todos saibam de cor. Mas você fez com que eu soubesse poesias suas de cor. Você fez com que eu gostasse de Literatura. Você mexeu em tanta coisa em mim, eu lia as suas palavras e só conseguia pensar no quão fantástico você era. Em como você seria se tivesse vivido mais - e aí eu imagino que poderia ser absolutamente chato e sem graça, sem o ardor adolescente.

Então, Álvares, obrigada. Você me deixa muito feliz.

E estou com preguiça de colocar uma foto.

Com amor,

Maria Sera... Ops. Morgana.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Day 23 — The last person you kissed

'Till the end when we part, I will give you my heart,
And I will promise to love you with all that it is
And I will promise to be there whenever you need me


Lolinha,

Você não é uma pessoa, mas eu usarei licença poética. Afinal, eu acabei de dar um beijo na sua barriga. A sua barriga é tão vermelha e quentinha! Enquanto eu escrevo isso, você está dormindo no meu colo. Você dorme muito, hoje nós passamos a manhã dormindo na mesma cama. Quando minha mãe disse que eu ia te ganhar, eu pensei que não seria uma dessas donas que deixam a cachorra fazer tudo o que quer ou algo assim. Bem. Ambas sabemos que não foi bem assim.

Você pode até não ser uma pessoa, mas tem tantos gostos e vontades como uma. E eu realmente não me incomodo com isso, porque quando você balança seu rabinho ou então fica lambendo meus pés compulsivamente, vale a pena. Eu até esqueço do rasguinho na contracapa do Senhor dos Anéis. Eu amo te ver dormir. Os seus olhinhos fechados são a coisa mais graciosa do mundo.

Eu te amo tanto, Lola, que nem ligo quando você fica latindo para mim seis horas da manhã. Ou me mordendo, antes de dormir. As tuas mordidinhas nem doem, são carinhosas. Eu sei porque eu já senti uma mordida de verdade sua - lembra daquela vez que tu tava mordendo um dos teus brinquedos e eu coloquei o pé sem querer? Sangrou. Então você não morde para machucar a gente.

Eu amo quando você acorda e vai se espreguiçar. É a coisa mais linda do mundo. Eu odeio quando alguém vai embora e você fica chorando na porta. Eu odeio seu chorinho, você puxa do fundo da garganta e chora e é tão triste que eu paro imediatamente o que estou fazendo só para fazer cócegas na sua barriga. Eu amo quando você toma banho e fica bem cheirosinha e se deita perto de mim, para eu ficar te acarinhando.

Sabia que eu senti muita, muita saudade de ti na viagem, sua sapeca? Sapeca, mesmo, que fica destruindo as coisas da casa. E eu ainda te defendo dos carões da minha mãe, é impressionante. É tão engraçado como todos te tratam, Lolinha: brigam com você, mas aí você faz a sua carinha desconfiada e te enchem de beijinhos!

Acabei de te dar outro beijo na barriga. Tão, tão quentinha. Eu te amo muito, viu, Lola? E eu sei que você sabe disso.



Da sua dona louca,

Morgana.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Day 20 — The one that broke your heart the hardest

Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar


Oi, Cord.

Eu não queria ter que escrever essa carta para você. Eu não queria ter que usar esse trecho de Mais uma vez" para você. Mas... é a vida. Acontece. Eu te amei tanto, tanto, tanto, Cord, que meu coraçãozinho remendado ainda dói quando eu penso nisso, sabia? Eu te amei tanto que me dava vontade de chorar só de pensar no quanto eu te amava. Não era um amor normal, Cord, era um amor doente. Não doentio, não era uma fanfic dramática do FF. Era só... doente. Porque eu não conseguia tirá-lo do meu coração ou qualquer coisa assim. Ele só ficava lá, doendo. Eu te via "gostando" de tantas outras pessoas, sem nunca gostar de nenhuma realmente e ficava daquele jeito de "Por que não eu?"

É até melhor você nunca ter se apaixonado por mim, porque - e aí, entra o trecho da música, que eu peço desculpas um milhão de vezes por ter sido utilizado - você iria desistir de mim fácil. Facinho, facinho. Ia se cansar de mim mais rápido do que se cansou da Vamp's ou do Átila. E ia doer mais, mais e mais. E ainda estaria doendo. Então, deixa para me amar desse jeito só quando a gente for se casar, haha.

Cord, o que mais dói é que tu é meu melhor amigo. Meu melhor amigo. E eu não tô te culpando de nada, a culpa é minha mesmo, de ter me apaixonado por você. Afinal, tu nunca dava brechas para mim ou algo do tipo. Simplesmente aconteceu. E eu era tão ridícula - tão, mesmo, eu queria te fazer sofrer, só um pouquinho. Eu vivia repetindo para ti o quanto te amava, o quanto me deixava triste o fato de você não me amar de volta... Isso porque - como eu sempre digo - eu sou uma pessoa horrível. Desculpa por isso, tá? Eu sei que você provavelmente não liga agora, ou algo assim, mas desculpa do mesmo jeito. Eu só queria que você sentisse um pouco da dor que eu sentia todos os dias.

Desde que você não-gostou de mim, eu nunca mais consegui gostar de ninguém. Ou ter confiança o suficiente para só ficar com outras pessoas. Eu não gosto de ficar. É estranho. Por isso, eu fiquei só com amigos - isso inclui você e nossos primeiros beijos, é claro. Eu não sou uma pessoa de ficar, Cord, amor é importante demais para mim. E tu... desculpa de novo, mas tu - ainda - não é uma pessoa-amor. Tu só quer ficar com várias pessoas e, o que te torna mais ridículo do que eu, não consegue tomar coragem para chegar numa menina e por isso, fica saturando o Átila. Eu ainda tô com raiva dele por causa das coisas que ele fez no SANA, mas ele não merece o que tu faz com ele. Tu também tá quebrando o coração dele, sabia?

Mesmo que ele fique dizendo que não, mesmo que ele que busque os teus beijos, mesmo que tudo isso, é só o mesmo... amor doente. E você sabe disso. Então, faça com que ele pare, antes que se destrua. E não faça com ninguém o que tu fez comigo. E a culpa não é sua, mas se tu não consegue amar as pessoas, não fique dando esperanças.

Eu quero muito que você encontre alguém que ame de verdade, Cord. E eu quero que isso aconteça comigo também, haha, um médico para cuidar das feridinhas do meu coração. E não tem problema se você quiser me amar, antes do nosso casamento, aliás. Só que aí eu vou rir da tua cara e te chutar com minhas botas all-stars.

Brincadeirinha.

Com amor sempre,

Morgana.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Day 17 — Someone from your childhood

Oh, I'm begging you no
There's more life left to go
Oh, I'm begging you please
'Cause I don't want you to live



Querido JP,

Agora, eu não lembro mais se era João Pedro ou João Paulo. Eu não lembro nem do seu rosto, ou do seu sorriso... Eu não lembro mais de você. E isso deveria doer, eu sei que deveria. Mas não dói. Não mais. Acho que, quando eu falei sobre você para os meus amigos, parou de doer. Ou a dor passou apenas para um formigamento leve. Eu sei que você iria querer que tivesse sarado instantaneamente, mas veja bem. Você era meu único amigo. Você tinha me beijado. Sabe o qual a importância disso para uma garota de cinco anos, vítima de bullying?

Eu sinto muito por ter te escondido durante tanto tempo. É que eu sentia como se você... não sei. Talvez as outras pessoas não deveriam saber sobre você, mas eu tinha que contar. Eu somente... tinha. Eu acho que você me perdoaria por qualquer coisa, afinal de contas.

Você existiu mesmo? Sabe, é uma pergunta boba, mas às vezes eu imagino se você era um ser humano de verdade. Tu tinha o que? Sete? Oito, nove, dez? Quantos anos você tinha? Não lembro de nada. Só tenho a pulseirinha guardada em algum lugar - desculpa, deveria ser tão especial e eu nem consigo me lembrar onde ela está - e me lembro do seu beijinho. Só isso. Você é um... perfume. Um perfume que eu senti há tempos e queria conseguir me lembrar bem do cheiro, mas só tenho uma vaga noção.

Mudei de assunto, não foi? Vou te perguntar de novo: você existe mesmo? Eu acredito em Deus, sabe, eu preciso acreditar, eu não suporto pensar que é só isso aqui. Então eu olho para o Céu e penso que você está lá. Na verdade, eu tenho certeza absoluta que você está lá. Que você sempre pertenceu ao Céu. E é clichê e bobo, mas você não é um anjo? Porque parece. Parece muito com um. Não sei, não sei. Eu acredito, egocentricamente, que tu só existiu para mim. Quem eram os teus outros amigos? Tu era que nem eu. Tu não tinha amigos, também.

Eu fico triste. Eu queria que você ainda estivesse aqui, no bloco A. Daí a gente se veria todos os dias. Daí a gente teria crescido junto e eu não seria tão complexada com essas coisas de amizade. Daí eu te amaria mais e mais e você também me amaria e nós ficaríamos juntos para sempre, porque é assim que tem que ser. Digo, era assim que tinha que ser. Porque, mesmo que apareça alguém dizendo que nós poderíamos ter nos separado, eu não acredito nisso. A gente estaria junto para sempre.

Mas estamos, não é? Afinal, onde quer que eu vá, ainda existe o Céu.

Com saudades,

Morgana.